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terça-feira, 5 de outubro de 2010

sábado, 2 de outubro de 2010

Crónica- "Prometo pela minha honra"

Promessas, promessas, promessas. Prometemos aqui, prometemos ali. Prometemos isto e aquilo. Prometemos por tudo e por nada. Prometemos para agora e prometemos para o futuro. Juramos. Juramos isto e juramos aquilo. Juramos que sim e juramos que não. Juramos ser para sempre e juramos para nunca mais. Prometem os novos e juram os velhos. É tão típico do quotidiano e tão banal em toda a sociedade.
Prometemos sem sabermos o que estamos a prometer. Juramos tendo consciência que não podemos cumprir. No fundo, deitamos cá para fora meia dúzia de palavras que tranquilizam os que nos estão perto e que nos comprometem com alguém ou com alguma coisa. Prometemos não voltar a fazer. Juramos não esquecer. Prometemos voltar. Juramos “amar e respeitar na saúde e na doença até que a morte nos separe”. Prometemos “pela nossa honra”. Juramos amizades eternas e amores para sempre. Prometemos tanto, em tão pouco tempo e de uma forma tão inconsciente.
E será isso correcto? Porque, afinal, quantas promessas cumprimos? Quantas deixamos para trás? Quantas nem tentamos realizar? E quantas tentamos e desistimos, acabando por não conseguir cumpri-la? Quantas não se desvanecem em segundos, logo após de serem ditas?
Prometemos quase como quem troca de camisa e, de certa forma, uma promessa é hoje em dia tão banal que já não tem o devido valor. Prometemos, sempre, por uma questão de segurança. Prometemos que não voltamos a fazer, procurando a confiança daquele que magoámos. Juramos não esquecer alguém, na esperança que esse alguém também não nos esqueça. Prometemos voltar, seguros que iremos regressar àquele lugar. Juramos “até que a morte nos separe” no cerimonial do casamento, como forma de encontrar segurança e estabilidade ao lado de alguém para o resto da vida. Prometemos pela nossa honra porque, seguramente, apenas a honra terá a força suficiente para nos empurrar para o caminho da promessa.
E não seria bom termos a certeza de que todas as promessas serão cumpridas? Ou melhor, não seria bom que todos os que prometem fizessem os possíveis e os impossíveis para cumprir essas promessas? Não seria bom que houvesse uma maior consciência sobre o que significa prometer algo ou alguma coisa ou prometer-se a alguém?
Certamente a confiança não se destruía tão facilmente, certamente a segurança permanecia durante mais tempo, certamente não havia necessidade de tantos juramentos infundidos e incontrolados e certamente que promessas não ficariam limitadas a simples promessas.
É tempo de (re-) pensar as promessas. E (re-) pensá-las implica conhece-las, imaginá-las, cumpri-las ou ter coragem para admitir que, afinal, a honra não foi suficiente. É também altura para nos consciencializarmos do que já prometemos, do que gostávamos de prometer, do que já cumprimos e do que ainda nos falta realizar. É tempo de percebermos o que significa verdadeiramente prometer. Porque prometer mundos e fundos é comprometer algo, é obrigar a qualquer coisa, é oferecer esperanças a alguém e é dar sinais de muita coisa futura. Porque afinal, promessas não são só promessas, não envolvem só um individuo e, por isso, não basta simplesmente só prometer, prometer, prometer.

[e é por me continuarem a fazer "apenas" promessas que hoje me lembrei disto (não pelas melhores razões, de facto!)]

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Reportagem - Tratamentos Chineses invadem saúde portuguesa.

[Reportagem elaborada por mim, por Soraia Neto e por Vera Furtado, para a cadeira de Investigação Jornalistica. A sua concretização não teria sido conseguida sem a preciosa ajuda de Ivo Mendes.]

Acupunctura, TuiNa, Fitoterapia, Dietética e Chikung são termos cada vez mais conhecidos entre os portugueses que procuram alternativas viáveis à medicina convencional. Contudo, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) continua a não ser reconhecida em solo nacional. Multiplicam-se as clínicas, os utentes e o ensino é cada vez mais rigoroso e exigente, no entanto, a profissão e os seus praticantes ainda procuram a regulamentação.

Aguardando a obtenção de estatuto por parte do Ministério da Saúde português, é a Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa (ESMTC) que, há mais de 20 anos, assume a responsabilidade de auto-regulação da qualidade cientifica, técnica e deontológica desta prática oriental. Aos alunos da Escola Superior, pouco expectantes relativamente a perspectivas futuras, resta esperar que os cinco anos de estudos intensivos sejam suficientes para encontrar emprego numa clínica de práticas orientais, em Portugal. Têm consciência de que o processo é longo e contínuo e mostram-se desiludidos com o facto desta pratica ainda não ser oficialmente reconhecida em Portugal, no entanto, não parecem fáceis de demover do seu sonho.

“Senti necessidade de estudar uma medicina que visse o paciente não só pela doença, como também, tendo em conta o seu estado emocional”, disse-nos Ivo Mendes, aluno do primeiro ano do curso de Medicina Tradicional Chinesa (MTC), enquanto visitávamos a Escola. É certo que é a necessidade de ir mais além do que a medicina convencional que move os estudantes deste curso e é um facto que encontraram nesta Escola uma cultura ocidental enraizada, que lhes permite, muito à custa da experimentação, apreender os pensamentos filosóficos do oriente e os conhecimentos médicos chineses.

O facto desta medicina não ser reconhecida em Portugal, nem na grande maioria dos países europeus, não parece ser razão de renuncia à vontade de aprender. Prova disso é que os mais de 250 alunos desta Escola Superior têm vindo a aumentar de ano para ano, ainda que o ensino seja privado e os custos nem sempre estejam adequados ao bolso de todos.

“Claro que gostava que a medicina chinesa fosse reconhecida em Portugal, mas, se até acabar o curso não for, existe sempre a hipótese de ir trabalhar para uma clínica”, declarou destemido Ivo Mendes, que admite ser possível ter que optar por exercer a profissão fora do pais. Essa oportunidade pode ser sugerida e concretizada a partir do estágio hospitalar de 6 meses que cada aluno tem que realizar, no quinto ano do curso, em Nanjing, na República Popular da China. Até lá, o curso em Portugal propõe um estágio clínico por ano, onde são desenvolvidas as diversas especialidades da Medicina Tradicional Chinesa (MTC).

“É uma das primeiras vezes que entro aqui”, declarou-nos Ivo Mendes à porta da clínica que fica dentro da própria Escola Superior. “Para o ano é que começo o meu estágio e aí sim, vou entrar aqui muito mais vezes”, acrescentou. Já lá dentro, fomos recebidos por Ana Varela, docente da instituição e médica especialista na clínica em questão, que começou por esclarecer que, ao contrário do que acontece na medicina ocidental, que se baseia em “radiografias e análises clínicas” para conhecer o diagnóstico do paciente, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) usa a observação como meio para chegar a esse diagnóstico.

Esta é feita a partir da “observação da língua e da face, da apalpação dos meridianos, da leitura do pulso e a partir da recolha de sintomas com uma determinada lógica, de acordo com o diálogo mantido com o paciente”, declarou Ana Varela. Deste modo, explicitou a professora, “é necessária uma prática enorme por parte do clínico e a questão da sensibilidade também se revela importante”. Em certos casos, “se o doente trouxer consigo alguns exames”, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) também se pode auxiliar do “histórico médico do paciente”, esclareceu, no entanto, este é visto apenas como um complemento.

Segundo a especialista, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) reúne um conjunto de disciplinas principais que se dividem no ‘TuiNa’ que é uma forma de massagem chinesa usada para estimular os pontos dos meridianos do paciente com a finalidade de equilibrar o fluxo de energia nestes canais; na ‘Fitoterapia‘, que por sua vez, tem como base de tratamento o uso de plantas naturais; na ‘Dietética’ que inclui para além de uma alimentação com regras, exercícios energéticos para o relaxamento; e no ‘Chikung‘, que é uma ginástica energética que tem como objectivo o desbloqueio da energia do corpo, procurando o bem-estar físico e mental; e na ‘Acupunctura‘, o método mais conhecido do mundo ocidental, no qual são utilizadas agulhas em pontos definidos do corpo para restabelecer o equilíbrio energético.

“Para mim a grande vantagem da Medicina Chinesa é permitir ir à raiz do problema”, declarou Ivo Mendes, elucidando-nos que enquanto a medicina ocidental “acaba por mascarar o problema”, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) tem por base o reconhecimento da base do problema físico que, diversas vezes, é do foro psicológico do doente.

“Se for preciso ensinar melhores hábitos de vida ou de alimentação, nós ensinamos” explicou Ana Varela, que acredita que a maioria dos casos acabam por encontrar curas “apenas com a alteração de hábitos comportamentais”. Para a professora e especialista de Medicina Tradicional Chinesa (MTC), “o grande objectivo é sempre conseguir que o doente encontre o seu próprio equilíbrio de acordo com o meio natural em que vive” e “torná-lo autónomo”, no sentido em que o paciente deve ser o principal observador dos seus desequilíbrios, de forma a poder diagnosticá-los e alterá-los sozinho. Para Ana Varela, o objectivo não é que o doente fique “dependente desta medicina” pois, os pacientes “são os melhores observadores deles próprios”.

Segundo a mesma professora, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) consegue “observar desequilíbrios antes da instalação da própria doença”, tendo assim um papel bastante importante nas questões da prevenção. “A medicina convencional só chega ao paciente depois do início da doença”, declarou, o que traz imensas vantagens a esta medicina. Apesar disso, Ana Varela esclareceu que, hoje em dia, “já chegam aos consultórios da Medicina Chinesa, imensos casos muito complicados que já passaram por todos os lados”, de pessoas que vêem ali uma ultima esperança. Nestes casos, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) tenta dar novas respostas ao doente para que a parte do “organismo que já tem desequilíbrios severos” possa vir a encontrar o equilíbrio. Estas respostas são dadas a partir de métodos completamente diferentes dos da medicina convencional e tendo em atenção a prevenção de novos sintomas “no organismo que ainda é considerado saudável”.

De acordo com a professora “ é unânime que a patologia da dor é talvez a mais procurada e aquela que tem mais sucesso de tratamento”, mas, actualmente, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) também é muito requisitada para o tratamento de “desequilíbrios emocionais e comportamentais, exactamente pelo facto de ter uma perspectiva holística”, explicou a professora. Ainda assim, as doenças mais comuns que recorrem a este tratamento são, segundo a professora, “enjoos, vómitos, más digestões, obesidade, infecções do tipo urinário, debilidades e cansaços de vários géneros”, reforçou.

Contudo, para Ana Varela torna-se importante esclarecer que as patologias da medicina chinesa diferem-se da medicina convencional. “Podemos ter um caso de diabetes que tem vários tipos de diagnóstico em termos da medicina chinesa”, referiu. Para a especialista o grau de sucesso do tratamento está dependente do paciente. A professora afirma que “no caso de patologias da dor tentamos em duas ou três sessões resolver o problema, mas muitas vezes temos que pedir à pessoa para que modifique a sua própria maneira de estar e estilo de vida”. De uma forma, a professora acha que se o paciente cumprir as recomendações, “há sucesso na intervenção, tanto que há que cada vez há mais procura”, sublinha.

Independentemente de todos os sucessos e de todos os avanços na Medicina Tradicional Chinesa (MTC), na Europa apenas Malta reconheceu e regulamentou este ramo médico. Em 1994, na Classificação Nacional de Profissões, as autoridades portuguesas admitiram a existência da profissão Naturologista-Acupunctor, definindo o seu âmbito de actividade (que não congrega as demais especializações das práticas orientais). Contudo, ao contrário do que já aconteceu em países como a Alemanha, o Canadá, a Austrália, os Países Nórdicos e a maioria dos Estados Americanos, ainda não houve a regulamentação do exercício desta profissão em território português.

Para a professora Ana Varela, o facto de Portugal ainda não reconhecer a medicina tradicional chinesa não depende só do governo pois, a profissional acredita que, "do governo português existe a vontade". Segundo a mesma, a prioridade deve passar por criar uma norma europeia que tenha expressão em todos os países mas, para isso “teria que haver mais países interessados em regulamentar esta prática medicinal”.

No ponto de vista da profissional, os países europeus detêm algum receio que sejam cometidos alguns abusos e excessos por parte de quem a pratica, visto que actualmente esta situação é cada vez mais evidente. “Se houvesse regulamentação as escolas seriam reconhecidas, o que seria vantajoso para a interacção com as pessoas. Isso não existe porque na própria área de medicina chinesa existem monopólios que não vêem com bons olhos o reconhecimento”, diz Ana Varela.

Em tom de brincadeira, mas mostrando-se preocupada, a professora e especialista das práticas orientais afirma que a medicina ocidental não concorda com o reconhecimento da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) pelo facto de acreditarem que deveriam ser os seus médicos a ter formação suficiente para procederem à aplicação desta medicina nos tratamentos receitados. “Claro que isto não é admitido por nenhum médico ocidental”, refere Ana Varela, mas o que é certo é que, actualmente, “alguns já incluem tratamentos medicinais chineses” na terapia aconselhada ao doente.

Apesar de todas as divergências e convergências não reconhecidas, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) sempre serviu de complemento à medicina ocidental. “Na China é completamente diferente porque nos próprios hospitais existe um compartimento dedicado a estas medicinas”, reconheceu Ana Varela.

Segundo a professora, “situações agudas entram e começam na medicina ocidental e depois, na fase de recuperação, vão para a medicina chinesa”. Ana Varela refere que existe um “intercâmbio muito grande entre as duas abordagens” neste país, relatando uma história em que a equipa dedicada à Medicina Tradicional Chinesa (MTC) foi chamada a uma operação a um doente que estava com o tórax aberto e que tinha soluços, que foram tratados com uma simples agulha “no sitio certo”, comentou.

Nós por cá utilizamos este complemento, ainda que de uma forma menos complexa, sem conhecimento da Ordem dos Médicos pois, como admitiu a profissional “sempre trabalhei com médicos da medicina ocidental que encaminham os seus doentes para aqui”.

Com cerca de cinco mil anos de existência, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) começa a ganhar bastante terreno nas sociedades ocidentais e a dar provas da sua credibilidade através dos excelentes resultados alcançados. A mais recente descoberta para o tratamento de doenças cerebrais, em particular a paralisia cerebral, no hospital Xi'An Brain Disease Hospital of TCM, na China, veio contribuir para a consolidação desta prática. O mesmo hospital prometeu a fazer uma parceria com as Clínicas do Dr. Pedro Choy, um prestigiado especialista em Medicina Tradicional Chinesa (MTC) que possuí uma vasta rede de clínicas em Portugal, onde esta medicina surgiu por volta da década de 80 e tem hoje cerca de 3 milhões de adeptos.

Baseada fortemente na filosofia paulista, esta medicina que, como refere Ana Varela, “trata doentes dos 8 aos 80”, tem em conta a relação que o Homem mantém com a natureza e com a terra, bem como o respeito pelas próprias leis naturais. “Esta medicina está muito ligada ao conceito holístico das coisas, ou seja, pressupõe-se que nada acontece por acaso. Existe assim, uma interacção entre o meio e o Homem, ou seja, o que nós fazemos influencia o meio e o que acontece no meio também influencia o Ser Humano, não só no seu aspecto físico, mas também mental e espiritual”, disse a professora da Escola Superior.

Segundo a mesma, uma série de outras teorias, com teor universal, também fazem parte da base histórica da Medicina Tradicional Chinesa (MTC). “A grande vantagem destas teorias é o facto de terem uma universalidade tão grande que, mesmo com a mudança dos tempos, continuam a ser actuais”, garantiu Ana Varela, acrescentando que só desta forma é possível “fazer diagnósticos exactos para os tempos modernos”.

A partir da observação das relações do homem com o meio ambiente, esta promissora medicina conseguiu formular as suas teorias e fazê-las vingar pelos cinco continentes. O seu único objectivo, o tratamento de doenças e a manutenção do bem-estar mental e físico dos pacientes, pode ser considerado limitado, quando comparado com os complexos tratamentos utilizados pela medicina convencional. Contudo, já dizia o pensador chinês, Confúcio, “se deres um peixe a um homem faminto, vais alimentá-lo por um dia. Se o ensinares a pescar vais alimentá-lo toda a vida”.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Um dia...

"...juro que dou isto a conhecer ao mundo"
[Hoje é o dia!]

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Descodificar círculos (im)perfeitos

A história dramática da paixão entre dois irmãos gémeos é relatada, de forma crua e surpreendente, no filme Como Desenhar um Círculo Perfeito. Guilherme (Rafael Morais) e Sofia (Joana de Verona) vivem numa velha mansão lisboeta, no seio de um família cujos círculos são completamente imperfeitos. Filhos de país divorciados, cresceram a partilhar experiências, no entanto, cada um encontra um caminho diferente para seguir rumo à adolescência. Sofia entrega-se à rebeldia e vive entregue à vida boémia. Guilherme tem uma personalidade mais reservada e retraída que vive entregue ao desejo de um amor correspondido com a irmã. O pai dos gémeos é um escritor francês, com problemas com o álcool, que passa os dias fechado num velho apartamento a desenvolver obsessivamente um novo trabalho literário. A mãe de ambos passa a maior parte do tempo afastada do núcleo familiar, de forma a tratar dos seus negócios obscuros. É neste clima de imperfeição que Guilherme procura resguardar a sua vida em círculos perfeitos, que demora a atingir. Vivendo à margem daquilo que é considerado normal na vida de um jovem, a personagem principal do filme resguarda-se num clima quase autista, quando, após a irmã o rejeitar, se refugia em casa do pai. O filme, do mesmo realizador de Alice, culmina no regresso de Guilherme a casa, para os braços da sua irmã que, na sua ausência, compreendeu a falta que o gémeo lhe fazia. O realizador, Marco Martins, apresenta nesta segunda curta-metragem características semelhantes do seu primeiro filme, considerado pela crítica como um dos melhores filmes portugueses de todos os tempos. O drama enfatizado em planos escuros, bem como a abordagem a questões socialmente relevantes são dos factores comuns às duas realizações de Marco Martins. Como Desenhar um Círculo Perfeito é um filme dedicado a paixões incestuosas que vai muito além do simples evidente. Em cerca de 95 minutos, na sua maioria mudos, de forma a dar relevância às acções e aos pormenores das personagens, o realizador conseguiu codificar o sofrimento dos dois irmãos gémeos com uma série de cifras que cabe ao espectador descodificar, interpretar e concluir. São círculos (im)perfeitos aqueles que acabam por fazer parte de todo o filme, ainda que, para Guilherme, seja relativamente fácil desenhá-los perfeitamente sem a ajuda de qualquer instrumento. É de forma íntima e silenciosa que o espectador se envolve num ambiente algo perturbador, mas também contagiante pela simplicidade das suas emoções. Podia ser simplesmente mais um filme sobre incestos, no entanto, acaba por se desmarcar de todos os outros pelo simples facto de captar o público para as acções com uma intensidade tal que o prende aos acontecimentos. Os cenários foram escolhidos pormenorizadamente, de forma a captar as emoções de cada personagem. O público fica rendido à reflexão do principio ao fim, devido a existirem uma série de simbologias por detrás de cada cena ou de cada acontecimento. Os pormenores revelam-se importantes na interpretação e é certo que por detrás de cada acção estão mensagens complexas que tornam o filme emblemático. É um risco que pode ser traduzido em más interpretações, uma vez que não é concreto e é necessário uma certa sensibilidade para o perceber. A história só por si é considerada interessante e poderosa, no entanto, é o ritmo do filme, que pode ser considerado por muitos demasiado lento, que acaba por traduzir a argumentação humanista e absolutamente fantástica. É necessário, no entanto, que chegue a um público atento e aberto a um certo tipo de filmes cuja acção é predominante. A curta-metragem de Marco Martins é, desta forma, mais um marco na história do cinema português que vem contrapor os críticos do mesmo. A maneira como se apresenta é, não só vanguardista, no sentido em que a maioria dos filmes nacionais não chegam ao público desta forma, como também metafórica, o que representa uma grande coragem do próprio realizador.
[crítica relativa ao filme Como Desenhar um Círculo Perfeito]

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Europa na Lusofona?

Mais noites inteiras de trabalho que não serviram para nada.
"Mas não chore, isto é um elogio e um 13 é muito boa nota", que tristeza. --'


[de qualquer maneira, pode visitar aqui.]

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Diário de um Skin (2).


Diário de um Skin é o resultado de um verdadeiro testemunho de coragem e determinação de um jornalista de investigação espanhol, que se esconde na pele de António Salas, por motivos evidentes. O autor, que esteve cerca de um ano infiltrado em perigosos movimentos de extrema-direita, tornou-se influente dentro deles e procurou encontrar respostas mais claras no que diz respeito a curiosidades subjacentes ao neonazismo. No fundo, procurou ir mais além, “até aos aspectos desta dimensão do neonazismo que ainda não tenham sido explorados e sobre os quais não existem referências bibliográficas”. E foi esta necessidade de ultrapassar suposições predefinidas, o principal desejo que moveu o jornalista nesta investigação.
António Salas revela, logo nas primeiras páginas, que esta não era a primeira vez que se assumia como infiltrado. O autor introduziu-se numa série de organizações “desde máfias ate seitas satânicas, passando por grupos de extrema-esquerda ou redes de tráfico de mulheres”. No entanto, o jornalista revela esta infiltração como a maior e mais perigosa e aquela em que as dificuldades foram mais sentidas, explicando “que o que é verdadeiramente complexo, angustiante e psicologicamente esgotante, é assumir uma personalidade tão diferente da nossa durante um longo período de tempo”. É por este motivo, que ao longo de todo o livro, António Salas, refere que o papel de um infiltrado é muito semelhante ao de um actor. A analogia do infiltrado com alguém que representa, coloca em evidência as fragilidades deste trabalho, uma vez que o autor afirma que “no caso de cometer um erro, ninguém diz «cortem» para repetir a cena”, o que poderia meter em causa não só toda a investigação, como também, a vida do jornalista. O seu trabalho de actor obrigou-o a adequar-se a um novo estilo de vida e, por isso, António Salas procurou na sua verdadeira identidade algo comum ao que agora representava. Não foi simples, confessou. Contudo, o investigador conseguiu basear o seu personagem “no amor à natureza e ao desporto, no gosto pela música clássica, no interesse pelo paganismo e pelas religiões indo-europeias e no fascínio pelos conceitos de honra, lealdade e camaradagem dos templários, nos quais os actuais neonazis tentam ver-se reflectidos”. No fundo, arranjam-se semelhanças, ainda que muito diferentes, entre as paixões vividas pelo jornalista homem e os ideais a serem defendidos pelo jornalista profissional de investigação.
Os perigos da investigação acrescem pelo facto de António Salas não ter quaisquer bastidores atrás de si, ou seja, pelo facto de trabalhar sozinho, sem a ajuda de outros profissionais de apoio que o possam socorrer nas situações mais dramáticas, porque, de facto, elas existiram ao longo da investigação. Segundo o autor, tudo se torna ainda mais complicado quando se transporta no corpo uma câmara oculta, que a qualquer momento pode ser descoberta. O autor refere que o jornalista que transporta uma câmara oculta “leva colada a ela uma sentença de morte”, pois aquele que é o seu maior instrumento de trabalho, pode vir a denuncia-lo a qualquer momento. O medo, a angústia e a tensão são, desta forma, uma constante ao longo do tempo. Apesar disso, há que ter em conta que “é assim que deve ser”, uma vez que é o medo que mantêm os infiltrados “alerta, atentos, concentrados”. António Salas convence o leitor de que “quando um infiltrado perde o medo enquanto realiza o seu trabalho, comete um erro fatal”.
A investigação é, portanto, um autêntico perigo, ao qual toda uma ambição jornalística se sujeita. No entanto, o perigo não surge apenas dentro dos grupos nos quais o jornalista esteve infiltrado, uma vez que, o seu aspecto físico denuncia-o como inimigo de uma série de outros grupos rivais. Os próprios agentes policiais podiam deitar tudo a perder, se o decidissem revistar e lhe encontrassem uma câmara oculta, que o revelaria enquanto infiltrado. Certamente que os grupos de extrema-esquerda também o iriam ver como “um alvo a abater”. No inicio do terceiro capitulo, António Salas descreve uma situação em que a sua cabeça rapada o anunciou como skinhead a um grupo de “dez ou quinze punks, anarquistas e redskins”, que fizeram questão de o perseguir durante minutos infinitos. Felizmente, depois de ter ignorado uma zona de Madrid que funcionava como “meca antifascista”, António Salas conseguiu refugiar-se num dos pontos de encontro neonazis, que o salvaguardaram dos que o perseguiam.
O envolvimento de uma nova personalidade é, sem dúvida, o mais difícil em toda a investigação. Fingir ser outro alguém, controlar sentimentos de revolta, não criar demasiados laços com pessoas com as quais contacta ou tentar manter viva a ideia de jogo que transporta o profissional para um novo ser, são factores cruciais para o sucesso, ou não, de uma averiguação. O próprio António Salas admite a existência de momentos de fraqueza, que o fizeram balançar na investigação. Ainda que consciente do seu papel, o autor acredita que, aos poucos, a sua percepção de violência (principal característica de um skin), foi-se alterando, resultado do ódio que o invadiu também. Noutra situação, António Salas desabafa sobre dois “camaradas” com os quais não pode deixar de se envolver emocionalmente. O sentimento de culpabilidade ia crescendo à medida que os companheiros skinheads lhe confessavam crenças, desejos, expectativas. E com ele crescia também a vontade de corresponder à sinceridade dos “camaradas”, o que não deixava de ser um factor de desconcentração no seu projecto. Por este motivo, o autor revela que “teria gostado de mostra-lhes a minha câmara oculta”, como gratidão do trabalho gratuito que os companheiros prestavam, inconscientemente, à investigação e de maneira a corresponder às expectativas que os amigos neonazis tinham criado sobre o jornalista. Talvez por aqui se entenda o orgulho com que António Salas relata a saída de diversos skinheads do grupo, nas últimas páginas do seu livro. A seu ver, as suas palavras, baseadas na sua experiência, foram motivo suficiente para afastar membros de extrema-direita de um caminho que só podia ser reprovado por tudo e por todos. No fundo, o autor apenas quis dar a conhecer aos próprios nazis que as suas devoções jamais se deviam traduzir em ódios ou em estilos diferentes, mas sim, em projectos concretos que não lhes retirasse toda a credibilidade. Na mesma exposição, o autor dá a conhecer a muitos uma série de características que só se tinham como suspeitas, bem como uma outra visão, provada e experimentada, sobre aquilo que é ser skin.
Toda a investigação tem que ser estruturada com um principio, meio e fim, sobre o qual o jornalista se deve orientar, mas nunca se deve restringir. A pesquisa é o ponto forte e o primeiro a ser elaborado. E foi por aqui que António Salas também começou. As experiências de Diário de um Skin não começaram sem antes o jornalista saber tudo o que tinha a saber, no conforto da redacção ou de sua casa, sobre o movimento. A leitura foi a base, tal como é nos demais trabalhos jornalísticos.
A experiência jornalística neste campo também foi um factor a ter em conta. Os dezoito anos de António Salas como infiltrado foram fulcrais para lhe darem conhecimentos suficientes “no momento de construir uma personagem, de forma suficientemente convincente para entrar num mundo tão obscuro”. O facto de não existirem precedentes jornalísticos que delineassem experiências de infiltrações no movimento neonazi espanhol, fez com que o jornalista recorre-se a documentações estrangeiras, de forma a encontrar “companheiros veteranos que tivessem passado por esse transe”, ainda que noutro país, e aos quais pudesse pedir conselhos.
Outra parte da preparação passou por conhecer todos os grupos rivais dos skinheads pois, para o autor, “dizem que para conhecer um objectivo o melhor é recorrer aos seus inimigos”. Deste modo, António Salas procurou recorrer a associações antixenófonas, a instâncias policiais e até mesmo a serviços secretos israelitas, que pudessem conter “toda a informação possível sobre o adversário” e, por esse motivo, pudessem “converter-se numa boa fonte de informação”.
Dados, estatísticas, bibliografias, testemunhos, montanhas de informação que o autor procurou estudar durante semanas e que lhe “foram muito úteis” para se familiarizar “com o fenómeno skin”. No entanto, segundo as suas palavras, não havia nada nesses documentos que lhe “permitisse entrar na pele de um neonazi e entender os porquês da sua raiva, do seu orgulho, da sua ira ou dos seus sonhos”. Evidentemente, as complexas e inéditas informações a que teve acesso apenas lhe cediam pormenores acerca da teoria skinhead e jamais seriam reveladoras de um skin enquanto ser humano, e era esse o terreno que António Salas queria explorar.
Ainda que desencorajado várias vezes por palavras frias e desanimadoras de pessoas com quem contactava ao longo da pesquisa, António Salas não desistiu. “Eu não te aconselho” ou “não vais poder entrar por aí”, não foram suficientes para destituir o jornalista da ambição a que se tinha proposto e, como tal, nos três meses seguintes dedicou-se à leitura da bibliografia neonazi, dos seus fanzines e revistas, comprou discos de música skinhead e memorizou as letras das suas canções, decorou a casa com apetrechos nazis (bandeiras, cruzes gamadas, cartazes, fotografias de Hitler, emblemas do III Reich) e improvisou um pequeno ginásio no seu apartamento para “o culto dos músculos e do exercício físico”, tal e qual um verdadeiro skin ariano. Durante esses meses o autor foi-se “afastando das suas relações familiares e das minhas amizades” para que fosse possível concentrar-se exclusivamente nesta investigação.
O passo seguinte pressupôs um primeiro contacto, ainda que cibernautico, com os elementos da perigosa rede. Todos os dias, durante três meses, António Salas dirigia-se a um cibercafé e, a partir de dois computadores, acedia a importantes sites da rede, no entanto, “no principio, não demorava nem quinze minutos nos chats nazis”, uma vez que o controlo aos curiosos e infiltrados era imenso e o jornalista acabava por ser bloqueado. Existiam regras, às quais teve que se adaptar, com paciência e persistência. E também com determinação, que lhe permitiu descobrir todo e quaisquer mínimo pormenor, que fosse relevante para a sua estadia no espaço cibernautico.
Tiger88, foi o nick forte e estratégico que sobreviveu a estes primeiros contratempos e que se tornou um verdadeiro “camarada”. Aos poucos, o seu nome virtual era reconhecido e apreciado “em todas as cibertertúlias, em todos os foros e listas de correio e em todas as páginas web neonazis da rede”. O êxito da primeira fase de investigação levou a que o jornalista formasse, em conjunto com um “camarada”, a sua própria página web neonazi, que foi recomendada nos sites elitistas da rede, o que lhe trouxe sentimentos de orgulho e de “uma perigosa vaidade”.
Decorridos três meses escondido atrás de um teclado de computador, era altura de passar ao próximo passo, encarando a realidade e deixando de “brincar aos infiltrados protegido pela clandestinidade de um nick”. Das lojas, livrarias e comércios especializados em estética e cultura hitlerianas (lugares como as lojas Soldiers ou DSO, em Madrid) foi um salto para os primeiros encontros com os “camaradas” da web. Depois de comprar umas botas Doc Martens, um blusão de couro, uns suspensórios, emblemas, divisas e bandeiras, que complementassem “a aparência física de Tiger88” e do seu rosto ser reconhecido e familiar no mundo neonazi, o jornalista passou a ser um deles, ou seja, “a estratégia funcionou” e o infiltrado foi aceite. Aos poucos, e depois de ter rapado o cabelo (que insistia em esconder atrás de um gorro, o que levantou suspeitas), começou a ser convidado para “acções, conferências ou concertos reservados só para os verdadeiros simpatizantes do movimento”. E assim, conseguiu experimentar aquilo que nenhum outro jornalista tinha conseguido, até então. Conseguiu filmar acções de violência e gravar conversas que provavam suposições e que deram a conhecer, através do livro publicado, o verdadeiro Ser de um cabeça rapada.
Não só através de convívios, de conversas, de concertos e de jogos de futebol, mas também através de entrevistas que António Salas conseguiu com os maiores cabecilhas dos grupos por onde passou, a investigação foi retirando conclusões acerca do movimento. Para o autor, tratam-se dos “mesmos cães com diferente coleira”, ou seja, a complexa teia de grupos skins (claques futebolísticas, grupos de rock, associações culturais, partidos políticos, bandas e colectivos racistas) estavam todos ligados entre si, “como as peças de um enorme puzzle”, orientavam-se pelas mesmas ideologias e, no fundo, aquilo que os movia era a sensação de protecção num grupo, pois não estavam sozinhos. Inclusive, muitos membros de certos grupos “fazem parte simultaneamente” de outras associações de extrema-direita. São “lobos disfarçados de cordeiros” porque, no fundo, sozinhos não são nada, que incompreensivelmente conseguem “enganar autoridades, jornalistas, políticos” com o seu aspecto e a sua força enquanto grupo.
Outro aspecto que não poderia deixar de mencionar prende-se com o facto da sobrevivência skin depender, em grande parte, dos apoios provenientes dos grandes líderes sociais, como políticos, presidentes clubisticos e até seguranças, que persistem em negar a sua relação com estes grupos. A maior prova disso prende-se com o relato que António Salas faz sobre a sua primeira visita ao Santiago Barnabéu enquanto membro do Ultrassur, a claque skinhead de apoio à equipa madrilena. Os bilhetes da claque eram gentilmente cedidos pelo Presidente do Real Madrid ao líder, que os vendia a preços deveras exagerados. O objectivo era ter alguém para torcer pela equipa, pois “ninguém grita mais que um membro do Ultrassur”, daí os clube não se importar que depois, fora do estádio, “matem um negro”. Mais ainda, dentro do estádio, a claque dispõe de uma sala exclusiva onde pode guardar todo o seu material. É incrível o quanto dependem uns dos outros para sobreviver.
Estas descobertas não eram novas, não vinham chocar ninguém, não fosse o facto de estarem filmadas e, portanto, mais do que comprovadas. A coragem deste jornalista prende-se exactamente por isso. Nenhum outro teve audácia suficiente para chegar tão próximo do movimento e, ainda por cima, filmá-lo quase 24 sob 24 horas. Toda a sua preparação, quer documental quer antes de cada encontro com os seus “camaradas”, toda a sua estratégia delineada e extremamente bem pensada e todo seu o envolvimento no caso foram suficientes para um testemunho impressionante do que é ser um manifestante das ideias de Hitler. E toda esta impressionante história verídica, faz-nos questionar se ainda se fazem jornalistas assim.
[recensão relativa ao livro Diário de um Skin]
E se fosse hoje, certamente lia o mesmo livro e as palavras seriam exactamente as mesmas.

domingo, 14 de março de 2010

Diário de um Skin.


[Quando as ambições jornalisticas são perigosas, quando o jornalista deixa a profissão e encara uma personagem, quando mete em risco a própria vida, quando durante tanto tempo assume outra identidade. Quando deixa de ser quem é, quando passa a ser um herói. Quando o trabalho pode vir a ser, sem dúvida, recompensado.]


"Naturalmente, quem escreve isto não é um delinquente, nem um proxeneta, nem um sectário, nem um pró-terrorista...nem um nazi. Mas foi-o enquanto permaneceu no seio de um destes colectivos. Real, sincero, activo...autêntico. Só dessa forma é possível permanecer infiltrado durante meses. O trabalho de uma toupeira é similar à de um actor, só que no caso de cometer um erro, ninguém diz «cortem» para repetir a cena. E o erro dentro de certos grupos pode pressupor que não haja mais cenas."

[De António Salas, o pseudónimo de um jornalista infiltrado no movimento neonazi espanhol. @ Diário de um Skin.]


Juro que o homem é um génio! E pergunto-me se ainda se fazem jornalistas assim?! ;D
[e recomendo o livro a qualquer pessoa, mesmo que a capa choque quem vai sentado ao vosso lado no comboio!]

sexta-feira, 5 de março de 2010

Pensar, escrever, partilhar.

[eu penso, por isso escrevo, e por isso partilho! ;D]

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

[Antestreia] "Bodas de Sangue"

"Dirigida pela divindade Lunar, amparada por um lado musical e uma dança poética, sublimemente presentes em toda a obra, Bodas de Sangue é um edifício teatral inigualável, onde Federico Garcia Lorca não retrata da ética de morrer mas sim da mística da morte."


"Aquelas facas, objectos tão pequenos, que tiram a vida aos indefesos"
[Teatro da Comuna @ De 25 de Fevereiro a 7 Março]
[Com a participação do nosso Vitooor, o que tornou tudo bem mais interessante! :D]
[Juro que, supreendentemente, ADOREI!]