[mais informações a serem acompanhadas aqui.]
terça-feira, 5 de outubro de 2010
sábado, 2 de outubro de 2010
Crónica- "Prometo pela minha honra"
Prometemos sem sabermos o que estamos a prometer. Juramos tendo consciência que não podemos cumprir. No fundo, deitamos cá para fora meia dúzia de palavras que tranquilizam os que nos estão perto e que nos comprometem com alguém ou com alguma coisa. Prometemos não voltar a fazer. Juramos não esquecer. Prometemos voltar. Juramos “amar e respeitar na saúde e na doença até que a morte nos separe”. Prometemos “pela nossa honra”. Juramos amizades eternas e amores para sempre. Prometemos tanto, em tão pouco tempo e de uma forma tão inconsciente.
E será isso correcto? Porque, afinal, quantas promessas cumprimos? Quantas deixamos para trás? Quantas nem tentamos realizar? E quantas tentamos e desistimos, acabando por não conseguir cumpri-la? Quantas não se desvanecem em segundos, logo após de serem ditas?
Prometemos quase como quem troca de camisa e, de certa forma, uma promessa é hoje em dia tão banal que já não tem o devido valor. Prometemos, sempre, por uma questão de segurança. Prometemos que não voltamos a fazer, procurando a confiança daquele que magoámos. Juramos não esquecer alguém, na esperança que esse alguém também não nos esqueça. Prometemos voltar, seguros que iremos regressar àquele lugar. Juramos “até que a morte nos separe” no cerimonial do casamento, como forma de encontrar segurança e estabilidade ao lado de alguém para o resto da vida. Prometemos pela nossa honra porque, seguramente, apenas a honra terá a força suficiente para nos empurrar para o caminho da promessa.
E não seria bom termos a certeza de que todas as promessas serão cumpridas? Ou melhor, não seria bom que todos os que prometem fizessem os possíveis e os impossíveis para cumprir essas promessas? Não seria bom que houvesse uma maior consciência sobre o que significa prometer algo ou alguma coisa ou prometer-se a alguém?
Certamente a confiança não se destruía tão facilmente, certamente a segurança permanecia durante mais tempo, certamente não havia necessidade de tantos juramentos infundidos e incontrolados e certamente que promessas não ficariam limitadas a simples promessas.
É tempo de (re-) pensar as promessas. E (re-) pensá-las implica conhece-las, imaginá-las, cumpri-las ou ter coragem para admitir que, afinal, a honra não foi suficiente. É também altura para nos consciencializarmos do que já prometemos, do que gostávamos de prometer, do que já cumprimos e do que ainda nos falta realizar. É tempo de percebermos o que significa verdadeiramente prometer. Porque prometer mundos e fundos é comprometer algo, é obrigar a qualquer coisa, é oferecer esperanças a alguém e é dar sinais de muita coisa futura. Porque afinal, promessas não são só promessas, não envolvem só um individuo e, por isso, não basta simplesmente só prometer, prometer, prometer.
[e é por me continuarem a fazer "apenas" promessas que hoje me lembrei disto (não pelas melhores razões, de facto!)]
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Reportagem - Tratamentos Chineses invadem saúde portuguesa.
[Reportagem elaborada por mim, por Soraia Neto e por Vera Furtado, para a cadeira de Investigação Jornalistica. A sua concretização não teria sido conseguida sem a preciosa ajuda de Ivo Mendes.]
Acupunctura, TuiNa, Fitoterapia, Dietética e Chikung são termos cada vez mais conhecidos entre os portugueses que procuram alternativas viáveis à medicina convencional. Contudo, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) continua a não ser reconhecida em solo nacional. Multiplicam-se as clínicas, os utentes e o ensino é cada vez mais rigoroso e exigente, no entanto, a profissão e os seus praticantes ainda procuram a regulamentação.
Aguardando a obtenção de estatuto por parte do Ministério da Saúde português, é a Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa (ESMTC) que, há mais de 20 anos, assume a responsabilidade de auto-regulação da qualidade cientifica, técnica e deontológica desta prática oriental. Aos alunos da Escola Superior, pouco expectantes relativamente a perspectivas futuras, resta esperar que os cinco anos de estudos intensivos sejam suficientes para encontrar emprego numa clínica de práticas orientais, em Portugal. Têm consciência de que o processo é longo e contínuo e mostram-se desiludidos com o facto desta pratica ainda não ser oficialmente reconhecida em Portugal, no entanto, não parecem fáceis de demover do seu sonho.
“Senti necessidade de estudar uma medicina que visse o paciente não só pela doença, como também, tendo em conta o seu estado emocional”, disse-nos Ivo Mendes, aluno do primeiro ano do curso de Medicina Tradicional Chinesa (MTC), enquanto visitávamos a Escola. É certo que é a necessidade de ir mais além do que a medicina convencional que move os estudantes deste curso e é um facto que encontraram nesta Escola uma cultura ocidental enraizada, que lhes permite, muito à custa da experimentação, apreender os pensamentos filosóficos do oriente e os conhecimentos médicos chineses.
O facto desta medicina não ser reconhecida em Portugal, nem na grande maioria dos países europeus, não parece ser razão de renuncia à vontade de aprender. Prova disso é que os mais de 250 alunos desta Escola Superior têm vindo a aumentar de ano para ano, ainda que o ensino seja privado e os custos nem sempre estejam adequados ao bolso de todos.
“Claro que gostava que a medicina chinesa fosse reconhecida em Portugal, mas, se até acabar o curso não for, existe sempre a hipótese de ir trabalhar para uma clínica”, declarou destemido Ivo Mendes, que admite ser possível ter que optar por exercer a profissão fora do pais. Essa oportunidade pode ser sugerida e concretizada a partir do estágio hospitalar de 6 meses que cada aluno tem que realizar, no quinto ano do curso, em Nanjing, na República Popular da China. Até lá, o curso em Portugal propõe um estágio clínico por ano, onde são desenvolvidas as diversas especialidades da Medicina Tradicional Chinesa (MTC).
“É uma das primeiras vezes que entro aqui”, declarou-nos Ivo Mendes à porta da clínica que fica dentro da própria Escola Superior. “Para o ano é que começo o meu estágio e aí sim, vou entrar aqui muito mais vezes”, acrescentou. Já lá dentro, fomos recebidos por Ana Varela, docente da instituição e médica especialista na clínica em questão, que começou por esclarecer que, ao contrário do que acontece na medicina ocidental, que se baseia em “radiografias e análises clínicas” para conhecer o diagnóstico do paciente, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) usa a observação como meio para chegar a esse diagnóstico.
Esta é feita a partir da “observação da língua e da face, da apalpação dos meridianos, da leitura do pulso e a partir da recolha de sintomas com uma determinada lógica, de acordo com o diálogo mantido com o paciente”, declarou Ana Varela. Deste modo, explicitou a professora, “é necessária uma prática enorme por parte do clínico e a questão da sensibilidade também se revela importante”. Em certos casos, “se o doente trouxer consigo alguns exames”, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) também se pode auxiliar do “histórico médico do paciente”, esclareceu, no entanto, este é visto apenas como um complemento.
Segundo a especialista, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) reúne um conjunto de disciplinas principais que se dividem no ‘TuiNa’ que é uma forma de massagem chinesa usada para estimular os pontos dos meridianos do paciente com a finalidade de equilibrar o fluxo de energia nestes canais; na ‘Fitoterapia‘, que por sua vez, tem como base de tratamento o uso de plantas naturais; na ‘Dietética’ que inclui para além de uma alimentação com regras, exercícios energéticos para o relaxamento; e no ‘Chikung‘, que é uma ginástica energética que tem como objectivo o desbloqueio da energia do corpo, procurando o bem-estar físico e mental; e na ‘Acupunctura‘, o método mais conhecido do mundo ocidental, no qual são utilizadas agulhas em pontos definidos do corpo para restabelecer o equilíbrio energético.
“Para mim a grande vantagem da Medicina Chinesa é permitir ir à raiz do problema”, declarou Ivo Mendes, elucidando-nos que enquanto a medicina ocidental “acaba por mascarar o problema”, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) tem por base o reconhecimento da base do problema físico que, diversas vezes, é do foro psicológico do doente.
“Se for preciso ensinar melhores hábitos de vida ou de alimentação, nós ensinamos” explicou Ana Varela, que acredita que a maioria dos casos acabam por encontrar curas “apenas com a alteração de hábitos comportamentais”. Para a professora e especialista de Medicina Tradicional Chinesa (MTC), “o grande objectivo é sempre conseguir que o doente encontre o seu próprio equilíbrio de acordo com o meio natural em que vive” e “torná-lo autónomo”, no sentido em que o paciente deve ser o principal observador dos seus desequilíbrios, de forma a poder diagnosticá-los e alterá-los sozinho. Para Ana Varela, o objectivo não é que o doente fique “dependente desta medicina” pois, os pacientes “são os melhores observadores deles próprios”.
Segundo a mesma professora, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) consegue “observar desequilíbrios antes da instalação da própria doença”, tendo assim um papel bastante importante nas questões da prevenção. “A medicina convencional só chega ao paciente depois do início da doença”, declarou, o que traz imensas vantagens a esta medicina. Apesar disso, Ana Varela esclareceu que, hoje em dia, “já chegam aos consultórios da Medicina Chinesa, imensos casos muito complicados que já passaram por todos os lados”, de pessoas que vêem ali uma ultima esperança. Nestes casos, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) tenta dar novas respostas ao doente para que a parte do “organismo que já tem desequilíbrios severos” possa vir a encontrar o equilíbrio. Estas respostas são dadas a partir de métodos completamente diferentes dos da medicina convencional e tendo em atenção a prevenção de novos sintomas “no organismo que ainda é considerado saudável”.
De acordo com a professora “ é unânime que a patologia da dor é talvez a mais procurada e aquela que tem mais sucesso de tratamento”, mas, actualmente, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) também é muito requisitada para o tratamento de “desequilíbrios emocionais e comportamentais, exactamente pelo facto de ter uma perspectiva holística”, explicou a professora. Ainda assim, as doenças mais comuns que recorrem a este tratamento são, segundo a professora, “enjoos, vómitos, más digestões, obesidade, infecções do tipo urinário, debilidades e cansaços de vários géneros”, reforçou.
Contudo, para Ana Varela torna-se importante esclarecer que as patologias da medicina chinesa diferem-se da medicina convencional. “Podemos ter um caso de diabetes que tem vários tipos de diagnóstico em termos da medicina chinesa”, referiu. Para a especialista o grau de sucesso do tratamento está dependente do paciente. A professora afirma que “no caso de patologias da dor tentamos em duas ou três sessões resolver o problema, mas muitas vezes temos que pedir à pessoa para que modifique a sua própria maneira de estar e estilo de vida”. De uma forma, a professora acha que se o paciente cumprir as recomendações, “há sucesso na intervenção, tanto que há que cada vez há mais procura”, sublinha.
Independentemente de todos os sucessos e de todos os avanços na Medicina Tradicional Chinesa (MTC), na Europa apenas Malta reconheceu e regulamentou este ramo médico. Em 1994, na Classificação Nacional de Profissões, as autoridades portuguesas admitiram a existência da profissão Naturologista-Acupunctor, definindo o seu âmbito de actividade (que não congrega as demais especializações das práticas orientais). Contudo, ao contrário do que já aconteceu em países como a Alemanha, o Canadá, a Austrália, os Países Nórdicos e a maioria dos Estados Americanos, ainda não houve a regulamentação do exercício desta profissão em território português.
Para a professora Ana Varela, o facto de Portugal ainda não reconhecer a medicina tradicional chinesa não depende só do governo pois, a profissional acredita que, "do governo português existe a vontade". Segundo a mesma, a prioridade deve passar por criar uma norma europeia que tenha expressão em todos os países mas, para isso “teria que haver mais países interessados em regulamentar esta prática medicinal”.
No ponto de vista da profissional, os países europeus detêm algum receio que sejam cometidos alguns abusos e excessos por parte de quem a pratica, visto que actualmente esta situação é cada vez mais evidente. “Se houvesse regulamentação as escolas seriam reconhecidas, o que seria vantajoso para a interacção com as pessoas. Isso não existe porque na própria área de medicina chinesa existem monopólios que não vêem com bons olhos o reconhecimento”, diz Ana Varela.
Em tom de brincadeira, mas mostrando-se preocupada, a professora e especialista das práticas orientais afirma que a medicina ocidental não concorda com o reconhecimento da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) pelo facto de acreditarem que deveriam ser os seus médicos a ter formação suficiente para procederem à aplicação desta medicina nos tratamentos receitados. “Claro que isto não é admitido por nenhum médico ocidental”, refere Ana Varela, mas o que é certo é que, actualmente, “alguns já incluem tratamentos medicinais chineses” na terapia aconselhada ao doente.
Apesar de todas as divergências e convergências não reconhecidas, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) sempre serviu de complemento à medicina ocidental. “Na China é completamente diferente porque nos próprios hospitais existe um compartimento dedicado a estas medicinas”, reconheceu Ana Varela.
Segundo a professora, “situações agudas entram e começam na medicina ocidental e depois, na fase de recuperação, vão para a medicina chinesa”. Ana Varela refere que existe um “intercâmbio muito grande entre as duas abordagens” neste país, relatando uma história em que a equipa dedicada à Medicina Tradicional Chinesa (MTC) foi chamada a uma operação a um doente que estava com o tórax aberto e que tinha soluços, que foram tratados com uma simples agulha “no sitio certo”, comentou.
Nós por cá utilizamos este complemento, ainda que de uma forma menos complexa, sem conhecimento da Ordem dos Médicos pois, como admitiu a profissional “sempre trabalhei com médicos da medicina ocidental que encaminham os seus doentes para aqui”.
Com cerca de cinco mil anos de existência, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) começa a ganhar bastante terreno nas sociedades ocidentais e a dar provas da sua credibilidade através dos excelentes resultados alcançados. A mais recente descoberta para o tratamento de doenças cerebrais, em particular a paralisia cerebral, no hospital Xi'An Brain Disease Hospital of TCM, na China, veio contribuir para a consolidação desta prática. O mesmo hospital prometeu a fazer uma parceria com as Clínicas do Dr. Pedro Choy, um prestigiado especialista em Medicina Tradicional Chinesa (MTC) que possuí uma vasta rede de clínicas em Portugal, onde esta medicina surgiu por volta da década de 80 e tem hoje cerca de 3 milhões de adeptos.
Baseada fortemente na filosofia paulista, esta medicina que, como refere Ana Varela, “trata doentes dos 8 aos 80”, tem em conta a relação que o Homem mantém com a natureza e com a terra, bem como o respeito pelas próprias leis naturais. “Esta medicina está muito ligada ao conceito holístico das coisas, ou seja, pressupõe-se que nada acontece por acaso. Existe assim, uma interacção entre o meio e o Homem, ou seja, o que nós fazemos influencia o meio e o que acontece no meio também influencia o Ser Humano, não só no seu aspecto físico, mas também mental e espiritual”, disse a professora da Escola Superior.
Segundo a mesma, uma série de outras teorias, com teor universal, também fazem parte da base histórica da Medicina Tradicional Chinesa (MTC). “A grande vantagem destas teorias é o facto de terem uma universalidade tão grande que, mesmo com a mudança dos tempos, continuam a ser actuais”, garantiu Ana Varela, acrescentando que só desta forma é possível “fazer diagnósticos exactos para os tempos modernos”.
A partir da observação das relações do homem com o meio ambiente, esta promissora medicina conseguiu formular as suas teorias e fazê-las vingar pelos cinco continentes. O seu único objectivo, o tratamento de doenças e a manutenção do bem-estar mental e físico dos pacientes, pode ser considerado limitado, quando comparado com os complexos tratamentos utilizados pela medicina convencional. Contudo, já dizia o pensador chinês, Confúcio, “se deres um peixe a um homem faminto, vais alimentá-lo por um dia. Se o ensinares a pescar vais alimentá-lo toda a vida”.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Um dia...
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Descodificar círculos (im)perfeitos
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Europa na Lusofona?
"Mas não chore, isto é um elogio e um 13 é muito boa nota", que tristeza. --'
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Diário de um Skin (2).
domingo, 14 de março de 2010
Diário de um Skin.
"Naturalmente, quem escreve isto não é um delinquente, nem um proxeneta, nem um sectário, nem um pró-terrorista...nem um nazi. Mas foi-o enquanto permaneceu no seio de um destes colectivos. Real, sincero, activo...autêntico. Só dessa forma é possível permanecer infiltrado durante meses. O trabalho de uma toupeira é similar à de um actor, só que no caso de cometer um erro, ninguém diz «cortem» para repetir a cena. E o erro dentro de certos grupos pode pressupor que não haja mais cenas."
[De António Salas, o pseudónimo de um jornalista infiltrado no movimento neonazi espanhol. @ Diário de um Skin.]




